Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), do último dia 20.
O Ministério Público Federal já investigou, constatou e pediu cancelamento de 99 assentamentos ditos de reforma agrária aqui na região Oeste do Pará. Os processos estão nas mãos do juiz. Domingo, a exposição da ferida, ou melhor, das chagas abertas foi feita a nível nacional.
Que os chamados assentados e PDS aqui na região são uma fantasia de graves conseqüências já se vinha denunciando há tempo; que os assentamentos feitos só em terras públicas e de florestas não atendem aos pequenos posseiros, mas aos madeireiros, já se denunciou; que a grilagem de terras públicas continua na região já se sabia.
Agora, que a televisão mostrou os fatos, mesmo incompletos e frágeis (imagine se as imagens da TV mostrassem as clareras na gleba pPcoval e as grandes toras de madeiras escondidas nos ramais de rio Uruará, entre outros), muitos da sociedade vão perguntar o seguinte: o juiz federal em Santarém vai acatar as denúncias documentadas pelo Ministério Público Federal? E se forem anulados os 99 assentamentos ilegais, alguém será punido? Cairá algum dos responsáveis pela farra de assentamentos de brincadeira? Os madeireiros continuarão a ser parceiros do Incra, como teria sido afirmado pelo presidente nacional do Incra? E os iludidos assentados se tornarão sem-terra?
Por que a superintendência do Incra se apressou em multiplicar assentamentos sem concluir nenhum deles? Só pra encher as estatísticas do governo Lula de alardear que assentou 300 mil famílias? O presidente foi enganado, ou sabia da fantasia e iludiu a população brasileira? Afinal vai ser demitido o presidente nacional do Incra, por ter aceito essa parceria com os madeireiros?
São questões que nos próximos dias deverão ter respostas. Afinal, se o juiz federal suspender os 99 assentamentos, os prejuízos são grandes para os colonos que por acaso estejam assentados, sofrendo nos lotes e a credibilidade do Incra chegará ao fundo do poço.
Engana-se um povo até um certo limite, mas depois as máscaras caem e o desastre se torna publico. Não é que os jovens grevistas do Incra tinham razão? Eles demandavam melhoria salarial, porém mais que isso, demandavam mudança na forma de o Incra falar e dizer que fazia assentamentos de reforma agrária. Daqui a duas semanas se saberá em que deu tudo isso.
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