Essa foto, de Rozinaldo Garcia, inspirou o jornalista Jota Ninos a costurar o poema abaixo:
Pontos de interrogação
Que planeta é este?
- pensa o pássaro sideral
após um pouso suave no rio
saído de sua nave espacial,
sua especial proteção
diante de tanto mal...
(o céu não está de brincadeira,
e nem é de brigadeiro...)
O que me espera
além daquela muralha?
Quanta tralha?
Quanta metralha?
Quanta canalha?
Quanta escumalha?
Haverá navalha?
Alguma medalha?
Haverá ainda algum pouso,
um repouso para minha carcaça?
Ou só a caça?
Haverá cachaça
pra esquecer tanta desgraça?
Garça e Garcia:
num encontro repentino
olhar ladino de um
alcançado pelo zoom
do outro menino
de outra mania.
O rio como testemunha
do velho dilema
shakespeariano:
ser ou não servir?
Ou vir a ser?
Ouvirá ser?
O sol, de longe,
ri à francesa
buarquianamente:
“Ton soleil ta braise!”...
Pontos de interrogação
Que planeta é este?
- pensa o pássaro sideral
após um pouso suave no rio
saído de sua nave espacial,
sua especial proteção
diante de tanto mal...
(o céu não está de brincadeira,
e nem é de brigadeiro...)
O que me espera
além daquela muralha?
Quanta tralha?
Quanta metralha?
Quanta canalha?
Quanta escumalha?
Haverá navalha?
Alguma medalha?
Haverá ainda algum pouso,
um repouso para minha carcaça?
Ou só a caça?
Haverá cachaça
pra esquecer tanta desgraça?
Garça e Garcia:
num encontro repentino
olhar ladino de um
alcançado pelo zoom
do outro menino
de outra mania.
O rio como testemunha
do velho dilema
shakespeariano:
ser ou não servir?
Ou vir a ser?
Ouvirá ser?
O sol, de longe,
ri à francesa
buarquianamente:
“Ton soleil ta braise!”...
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Melo Merquior