Cecília Santarém é estudante do ensino médio (Colégio Dom Amando) que começa a enveredar pelo mundo da poesia. Seu pai, Magnólio Oliveira, do PSA (Projeto Saúde e Alegria), mandou pra o blog um texto de autoria dela, para apreciação dos leitores.
Uma prosa-poética. Eis:
Se...
Se o dia amanhecesse cor-de-vinho, eu sairia lá fora, e pijama mesmo, só para olhar a nova cor do céu e ficava perguntando a mim mesma porque as mudanças deixaram as coisas abestalhadas. Correria sozinha até o meio da rua e ninguém iria perceber, porque o mundo seria só eu. Desceria as escadas de três em três degraus e me esborracharia no chão.Com o joelho sangrando e o cotovelo ralado, o dia cor-de-vinho iria me abraçar e me carregar para a beira do rio, que com seus remelexos de mil cores sorriria em ter mil peixes. Eu me sentiria com os pés na água e procuraria uns desenhos nas nuvens, mais brancas do que nunca, perdendo-me nas minhas próprias fábulas.
Mas o dia amanheceu com jeito de chuva.
Comentários
Me fez lembrar o titulo de um livro do L.F.Veríssimo: "Poesia numa hora dessas?!". Em tempos tão mesquinhos, de assuntos tão chatos, irritantes e espinhosos que aparecem pelo blog, é bom saber que ainda há espaço para poesia. Melhor ainda quando vem de uma geração onde nem mais coca cola é símbolo. Nem tudo está perdido. Quem sabe a idéia não pega e alguns professores da rede pública, por exemplo, passem a estimular seus alunos a escrever e porque não, publicar aqui no blog. Pode ser Jeso?
parabéns, Tita (Cecília), é uma alegria encontrar seu texto!
Enquanto lia, imaginava se o céu cor-de-vinho não seria da cor do caranguejo-uçá e o rio de mil cores não seria o manguezal, o mundo de cabeça para baixo...
É...o dia de Santarém ter um manguezal pode ser quando a maré encher...
Mil beijos e continue escrevendo!
Flávia Mochel,
dos manguezais amazônicos do Maranhão.
Quem sabe se voltarmos a fazer poesias e as declamarmos no nosso cotidiano, comecemos a cooperar para que Santarém volte a ser a Pérola do Tapajós.
"Versos e prosa matam a coisa horrorosa do pensamento que na nossa cidade de novo só cabe soja"
Que se construam espaços poeticos.
Você podia fazer uma poesia também sobre seus caracóis!!! Rs
Fabinho
É tão bom perceber que ainda é possível encontrar jovens que se enveredam pelo caminho da metáfora, da analogia e da fantasia em tempos em que de superficialidades, de modismos, da cultura do descartável e do "ficar".
Como professor, faço um mea-culpa: incentivamos pouco os jovens a produzirem e, assim, cerceamos parte de seu poder literário e muito de sua espontaneidade.
Parabéns, Cecília Santarém (o nome já é uma poesia).
Parabéns Cecília! E que os professores façam mesmo um "mea culpa" e incentivem à leitura e à criatividade artística de seus alunos.
E Mag, podes divulgar mais os trabalhos que a gente vai gostar!
Um grande beijo!