Ele disse

Proferida em 2000 pelo professor José Marques de Melo (fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, a Intercom), e mais atual do que nunca:

- De bom, o jornalismo brasileiro tem a capacidade antropofágica, ou melhor, a vocação mestiça, de assimilar modelos forâneos e adaptá-los às demandas e singularidades nacionais. De ruim, tem o vício da superficialidade e da irresponsabilidade, seja difundindo fatos sem aprofundamento, seja divulgando versões sem apuração correta.

Comentários

Anônimo disse…
Mino Carta , em seu (dele) blog: http://blogdomino.blig.ig.com.br/

Como bem disse ontem Paulo Henrique Amorim em palestra aos jornalistas do iG, a verdade factual é aquela que se distingue dos milhões de verdades defendidas por cada um. Em jornalismo, o fato é o primeiro alvo. Já a interpretação do fato depende das nossas opiniões. Paulo Henrique dissertou sobre a busca da imparcialidade, que há de figurar entre as preocupações do profissional. Do meu ponto de vista, a única chance de imparcialidade está no registro correto do fato, com precisão integral e sem a omissão de quaisquer pormenores. A omissão, em jornalismo tem periculosidade muito próxima da mentira. Às vezes confunde-se com ela. Confesso que outra imparcialidade não conheço, pois, a partir daí, partirei para a interpretação ditada por minha visão da vida e do mundo, a por em ação o espírito crítico. E este é indispensável ao exercício do jornalismo. Não se exija do profissional a objetividade, a qual é própria apenas das máquinas. Minha Olivetti, por exemplo. Se no meu batuque diário introduzo desastradamente um dedo entre as teclas em lugar de percuti-las com suave firmeza, ela não se nega à objetividade de sacramentar meu erro. Exija-se do jornalista a honestidade. Subjetivo sim, mas honesto, até as últimas conseqüências. Ou seja, mesmo na hora de admitir o engano sem meias palavras.