O julgamento de Dorothy




Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), de hoje:

O julgamento do mandante do assassinato da irmã Dorothy terminou, isto é, concluiu mais uma etapa da quase interminável legislação da justiça brasileira. O réu foi condenado a pena máxima, 30 anos.

Foi uma vitória dos que lutam contra a impunidade, mas vale a pena analisar os argumentos utilizados pelos advogados do réu. Na falta de argumento sérios para defender seu constituído, os advogados resolveram debochar da veterana freira de 73 anos.

Acusaram-na de ser um demônio vivo, de comandar quadrilha de invasores de propriedades. A tal ponto chegou o baixo nível da advocacia defensora de criminosos perversos. Irmã Dorothy podia ser acusada de teimosa, persistente e até chata para órgãos do governo que pouco interesse manifestavam pela causa dos posseiros em Anapu. Inclusive, ela batia a porta de senadores e ministros. Mas acusá-la de guerrilheira, subversiva e demônio é trágico e cômico.

Ao final, no entanto, os baixos argumentos não convenceram os jurados e juiz. Agora, como a lei é tão elástica, ele terá direito a novo julgamento, mas ficará no presídio. Enquanto isso, a população sensível à causa da Irmã Dorothy terá uma nova etapa de luta para que a justiça se complete.

Já Dorothy Stang, lá no paraíso divino, deve dar aquele sorriso humilde a dizer ao Pai Eterno: "Pai, perdoai, pois eles sabem o que fazem!"

Comentários

Anônimo disse…
Mestre Edil,

Se todos os mandantes e "pistoleiros de aluguel" houvessem sido condenados, no passado mais recente da saga da Amazônia, talvez Dotothy Stang ainda estivesse viva, lutando pelos seus (nossos) ideais de justiça social e liberdade!
A impunidade tem sido a origem de todas as mazelas sociais e políticas do País. Ainda bem que não vingou nesse caso.

Abração, mestre!

Samuca