Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), de ontem:
Se for comparar o número e finalidade de fornos de fazer carvão em Santarém e o que há em Marabá e sul do Pará nem precisaria vir a Secretaria de Tecnologia e Meio Ambiente, Sectam, a Santarém. O Isam mesmo poderia resolver o problema ambiental provocado pelos fornos da carvão caseiro daqui.
Alguém até já perguntou: para que mesmo existe o Instituto Socio Ambiental de Santarém? A Sectam não existe no Oeste do Estado, uma imensa região, carregada de problemas ambientais em terras do Estado.
Pelo que se sabe, lá na capital a Sectam é inoperante também e em passado recente defendia mais interesses de empresas do que da sociedade em si. Nestes dias, está em Santarém uma equipe daquele órgão que veio de Belém para examinar os fornos de fazer carvão caseiro na periferia da cidade. Será possível que será só para isso e também contemplar a destruição da serra do Índio, no bairro Santarenzinho?
Vai fazer o que mesmo se até autorização para destruir a serra foi dada pela Sectam? Pelo menos é o que o pessoal do Isam afirmou tempos atrás. Irá agora a equipe corrigir os erros do passado? Irá, por acaso, também processar a prefeitura e a empresa que constrói o viaduto também com material retirado de serrá do Índio? Afinal, estes dois já são acusados em processo de ação civil pública pelos danos causados à serra e ao igarapé do Irurá.
Oxalá esta visita rápida da equipe da Sectam a Santarém produza frutos. Que ela compreenda que há problemas muito mais graves do que os fornos de fazer carvão na periferia. Se ela andou pela orla da cidade com olhos abertos e sensíveis deve ter descoberto que há muito o que fazer e que é urgente um escritório com gente competente para parar várias fontes de poluição ambiental e aumento do calor na região.
Ao final desta visita pode ser que a Sectam em Belém se dê conta que não pode mais ficar encastelada na capital e mais tarde ser responsabilizada por mais cumplicidade com a destruição do meio ambiente, como hoje é da multinacional Cargill, cuja licença dada em 1999 pela própria Sectam foi desclassificada pelo Tribunal Regional Federal.
Quem sabe, essa visita não dará como um dos resultados a compreensão de que, mais do que uma visita, é um escritório da Sectam que se faz necessário e não só para analisar carvoarias caseiras, mas outros grandes problemas ambientaios em todo o Oeste paraense?
Quem sabe?
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