O povo reage ao Lobo Mau em Juruti




Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), de sábado:

Antes tarde do que nunca. Desta vez, Chapeuzinho Vermelho, já quase comida pelo Lobo Mau, se deu conta que a conversa macia era uma farsa. Bem que um caçador avisou, tempos atrás. Só agora ela caiu na real. A vovozinha ainda teima em acreditar que pode negociar com o Lobo Mau. Já este está em dúvida se continua com a conversa fiada, ou se ataca, de vez, tanto a vovozinha como a coitada da Chapeuzinho Vermelho.

Mas que estória é essa da fábula de Ésopo em Juruti? Fábula ou já realidade? Bem, depende de como se lê os fatos da presença da multinacional com sua fome insaciável na imensa mina de bauxita do município.

De repente, os moradores caíram na real e perceberam que a pressa cobiçosa da empresa estrangeira em extrair o minério precioso, já começa a destruir a vida dos nativos moradores. Promessas de empregos e renda, de progresso para a população, não passam de ilusões. Mas a poluição dos mananciais hídricos já atinge o lago do Jará, os igarapés da redondeza; uma estrada de ferro da empresa cortará lotes da agricultura familiar, sem justa compensação; benefícios mínimos para infra-estrutura da cidade não acontecem.

O prefeito, vovozinha, corre atrás da governadora em busca de auxílios, em vez de exigir compensações para tudo isso da multinacional, que retirará cerca de 40 bilhões de dólares em lucro da extração do minério, nos próximos dez anos. Por algum motivo ele não sabe se impor à empresa.

Finalmente os moradores começam a compreender o ditado "quem gosta de nós somos nós mesmos". Nem os políticos, nem as autoridades, nem as leis, nem o Papa. Somos nós que temos de agir e reagir, antes que o Lobo Mau invada de vez a casa e coma a todos de uma vez.

Quanto à multinacional, sua imagem de mansinho está indo pras cucuias e o lobo está acuado. O mundo todo ficará sabendo nos próximos dias, que a vestal ISO 9.000 nada mais é do que uma destruidora do meio ambiente e da produção familiar em Juruti, em busca de mais riqueza.

O povo de Juruti, mesmo um pouco tarde, acorda, num sinal de que, depois de uma Sexta-Feira da Paixão, pode acontecer a ressurreição da dignidade.

Viva o povo unido e organizado que luta por sua cidadania.

Comentários

Anônimo disse…
A coragem de comentar os acontecimentos negativos, envolvendo grandes enpresas
e gente poderosa, ficou para poucas pessoas neste pais.

O povo de Santarém, está perdendo a grande oportunidade de ter este HOMEM
no seu comando. Parabens padre, não tenha medo, porque Deus está com voce.

Antonio Tufi Nemer
Monte Dourado - PA
Anônimo disse…
Tenha plena e total ciência, Antônio, de que o Deus Altíssimo está muito longe deste pseudo sacerdote, que tão somente se apascenta a si mesmo do rebanho inocente da multidão de cegos seguidores do falso profeta de Roma e de seus antecessores, que não estão inscritos no livro da vida, inimigos que são de Deus.
E tu, guarda-te para que porventura não te sobrevenha igual sentença da parte do Criador.
Anônimo disse…
a ação de mineradoras ao redor do mundo é violenta e sem veiculação em mídia. Quem atrapalha seus projetos e interesses paga, quase sempre, com a vida. Entendam bem isso procurando saber o que a RTZ fez na ilha de Bouganvile na Oceania em uma mina de cobre. Na internet procurem por "COCONUT REVOLUTION". O que se deve mudar no mecanismo de implantação dessas minerações é a forma como é tratado esses projetos, já que hoje todos são controlados pelo gabinete do governador de estado, não recolhem icms, deixando tudo bastante nebuloso.
Anônimo disse…
Se há denúncia ao LOBO MAU, for, mau mesmo; Procedente, existe a omissão do estado brasileiro, que não supervisiona, não fiscaliza as instalações dos projetos.

O Estado, tem o dever de se antecipar aos projetos de infra-estrutura, supervisionando e controlando sua implantação sustentáveis, respeitando e valorizando a diversidade natural, social e cultura da região em seu entorno.

O prefeito, tem que buscar, a solução, sempre dentro da legalidade constitucional.

gtlimaam@ig.com.br