Memória de um ato de amor




Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), de hoje:

Fazer memória, comunicar-se espiritualmente com o ser superior, ter símbolos e ritos sagrados, tudo isso faz parte de todas as religiões. Mesmo os mais vazios de fé, os e as chamadas ateus e atéias, agnósticos e céticos têm algum momento na vida em que sua limitação existencial leva a algum tipo de ritual, em busca de uma comunicação com o sobrenatural.

Os cristãos de todas as igrejas têm em comum Deus que se comunica com as pessoas, um Deus vivo. Estre os cristãos, os católicos têm seus rituais sagrados de fazer memória de sua história com seu Deus. Um destes rituais é a Semana Santa, que faz memória do mais profundo gesto de amor, que é dar a vida em defesa de toda a humanidade, de cada ser humano, santo ou pecador, puro ou impuro.

E o que há de mais importante na Semana Santa é que a memória do profundo ato de amor ao ponto de aceitar o enfrentamento da morte foi do Deus Jesus, Filho do Pai Eterno e de Maria de Nazaré. Foi ele quem sofreu a paixão, foi assassinado, quando poderia ter escapado, tudo porque sua missão aqui na Terra foi revelar o único caminho de alguém ser feliz, dedicando a vida a serviço dos outros.

Mas, a Semana Santa não termina na cruz. Ele ressuscitou no domingo, vencendo a morte e garantindo a vida eterna para todos.

Essa é a esperança que alimenta a mística dos cristãos. Isso lhes dá uma certeza: quem quer que pratique o real amor, a solidariedade, o respeito à dignidade humana e à justiça, mesmo que creia diferente, ou desconheça o significado da paixão e ressurreição de Jesus de Nazaré, mesmo que se sinta ateu ou cético, mas coerente, firme com sua consciência e a prática da solidariedade individual e coletiva, não pode desesperar.

Ao passar desta vida encontrará do outro lado, o Ressuscitado de braços abertos a recebê-lo(a) dizendo: "Vem e entra na felicidade eterna, porque eu tive fome, tive sede e tu me acolheste."

A Semana Santa dos cristãos é santa porque seus rituais fazem memória deste maior ato de amor do Deus que se tornou pessoa humana para revelar o caminho que pode levar alguém a ser feliz, amando e até arriscando a vida pelos outros.

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