Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), de hoje:
Com a chegada hoje do novo bispo para a diocese de Santarém, 70% da população regional, que abrange esta vasta diocese, ganha um novo líder religioso. E tem motivo para fazer festa, pois toda organização social, inclusive a religiosa, necessita de um guia e um bom guia.
Isso significa uma pessoa que tenha uma mística forte, capacidade organizativa e liderança natural, além do prazer de servir. Na Igreja Católica não é diferente. Bispo bom é aquele que preenche esses quatro valores, pelo menos. Claro que simpatia pessoal facilita muito a relação com seu povo e com a sociedade.
Quem é dom Esmeraldo Barreto, o novo lider pastoral que chega hoje? Pouco ainda se sabe dele, e também ele pouco deve conhecer do povo paraense. Neste momento, enquanto ele está voando em longa viagem do Nordeste até Santarém, fica uma expectativa nas mentes dos e das católicas da diocese.
Possivelmente também nas mentes de outras pessoas que, mesmo não se ligando na Igreja, se interessam pelas lideranças coletivas que chegam e que permanecem. Será o novo bispo um líder dinâmico e comprometido que a diocese carece neste momento? Terá ele competência e capacidade de mergulhar na cultura cabocla da região?
Inculturar-se como fez Jesus Cristo, no dizer de São Paulo em Filipenses 2, 1 a 10 (que despojou-se de seu poder divino e encarnou-se como ser humano igual a nós em tudo, menos no pecado) é preciso assimilar a cultura cabocla, sem deixar de ser baiano, o que leva um bom tempo.
Ele é um nordestino, é jovem como bispo. Aceitou deixar sua Bahia, onde era bispo há seis anos, por um motivo nobre e de fé, para servir na diocese de Santarém, num momento histórico bastante complexo desta região amazônica.
Antes, a Amazônia tinha a imagem de inferno verde, hoje sua imagem é de eldorado para os de fora que buscam riquezas e ameaçadas pelos que aqui vivem. Região cobiçada e saqueada pelos exploradores das riquezas. Nesta Amazônia está incrustada a diocese de Santarém, com cerca de 400 mil habitantes, um povo batalhador, algumas organizações sociais ativas, uma Igreja que dá importância aos cristãos leigos que se engajam em vários serviços de evangelização e um grupo de padres que não são os mais brilhantes, mas prestam dedicado serviço ao povo da diocese.
Dom Esmeraldo vai encontrar vários desafios pastorais e sociais, mas ele tem tudo para continuar uma trabalho de liderança eclesial como marcou época o grande Tiago Ryan, de saudosa memória.
Bem-vindo, baiano, e se torne uma caboclo paraense mergulhando no rio Tapajós e na vida deste povo bom.
Comentários
Nessa esteira, o desafio do novo Dom parece ser o de reverter tal quadro, identificando as causas subjacentes da perda de rebanho, propondo e aplicando soluções adequadas. A Igreja tem à sua disposição um poderoso veículo de comunicação, Rádio Rural, da qual o sr. é o diretor, escolas, forte influência política e social, entre outros instrumentos, a serem usados nessa "guerra".
Oxalá disponha realmente o Dom Esmeraldo de "forte mística" para levar à sua vasta diocese os ensinos contidos nos santos evangelhos do Senhor Jesus, de modo efetivo. Muitas seriam as libertações, certamente.