Amazônia: pecados sociais e omissão




Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), de hoje:

Passaram o Carnaval e o Cristoval. Hoje começa a Quaresma para os cristãos católicos. A Igreja Católica acrescenta a esse tempo de penitência e revisão de vida a Campanha da Fraternidade. Nesta, os cristãos católicos(as) são convidados(as) a, em seus momentos de revisão de vida, irem além de exames pessoais de suas falhas nas relações pessoais, com família, vizinhos e a comunidade local. Possam também ampliar seu exame de consciência sobre possíveis pecados sociais de ação ou de omissão.

Em cada ano, a liderança da Igreja oferece um tema social para a Campanha da Fraternidade. Já nesta 43ª CF para alguns pode parecer incomum que a Igreja coloque como tema de meditação quaresmal uma região territorial/populacional, a Amazônia. O que tem a ver a Amazônia com a fé cristã? E se fosse o Centro-Oeste, ou o Sul do Brasil como tema da CF seria adequado?

Apesar de alguns nem se importarem com a questão, certamente não foi por acaso, nem por imitação de moda, para falar de Amazônia, só por causa do aquecimento climático, ou o que chamam de pulmão do mundo, mesmo que isso tenha a ver também com o assunto.

Amazônia é uma questão ética e moral há muito tempo. Não pode ser vista, como tem sido por muitos, apenas como beleza turística, saco de riquezas a serem retiradas por quem tiver esperteza e tecnologia; não pode ser olhada apenas como fonte de crescimento econômico do país.

A falta de consciência ética e moral está destruindo a vida de todas as espécies na Amazônia, inclusive a humana, caso não se encare o direito à vida antes do lucro, se não se tomarem decisões coletivas e políticas públicas éticas e morais.

O país e o planeta serão destruídos em poucos anos. Não é alarmismo simplório de ambientalistas esta questão. A Amazônia é um lugar decisivo para o ecossistema planetário e, antes disso, aos 23 milhões de seres humanos que aqui vivem. A liderança da Igreja Católica admite isso e, portanto, coloca o tema na Campanha da Fraternidade.

Ou se encara a defesa da Amazônia em seu todo, como um dever moral, ou a história muito em breve condenará esta geração omissa e perversa. A própria Igreja admite que tem se omitido em passado sobre esta questão moral da Amazônia, especialmente nas questões ambientais, invasão de mineradoras, madeireiras e megaprojetos de hidrelétricas, além do antigo e contínuo genocídio de comunidades indígenas.

Mas a hierarquia eclesiástica mais consciente não quer mais ignorar que a Amazônia é uma questão moral e ética. Por isso, a CF chega em boa hora, ou já atrasada. Não apenas para um mea culpa do passado, nem apenas para um reconhecimento teórico das belezas e problemas da região, mas como um início de compromisso prático em dar aos amazônidas o direito de usufruirem as riquezas da região sem destruí-la e aos viventes do planeta aquilo que a região tem de complemento ao equilíbrio do ecosssistema.

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