Referendo sobre a dívida externa


Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), hoje:

Ainda devem estar batendo palmas e soltando fogos os eleitores(as) que votaram no NÃO do referendo de domingo passado, sobre proibição de venda de armas e munições.

Finalmente, a maioria dos brasileiros(as) adultos(as) querem ter o direito de possuir arma de fogo para se igualar aos marginais, na capacidade de matar. Em que isso vai garantir a segurança e a paz, sabe-se que nada. Esse direito que alardearam os propagandistas da arma de fogo segue o velho e ineficiente ditado: "Se queres a paz, prepara a guerra".

Quem são os mais interessados em se ter arma de fogo? As fábricas de armas e munições; os ricos e remediados que precisam segurar suas propriedades; e as empresas de segurança. A maioria dos que votaram no Não nunca possuiu arma de fogo e nem sabe manusear um revólver.

O referendo foi um gasto inútil de dinheiro, na questão de venda de armas de fogo. Mas, para alguma coisa serviu. A população brasileira descobriu que tem direito de decidir diretamente sobre o que os políticos e o governo fazem em seu nome, quando não de sua aceitação. A representatividade dos políticos está em xeque.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Ordem dos Advogados do Brasil e outras lideranças nacionais devem começar a exigir um novo referendo. Que o povo seja chamado a decidir se o governo federal deve ou não continuar a pagar os juros da dívida externa, como vem fazendo.

Só neste ano, 110 bilhões de reais foram mandados ao estrangeiro para pagar os juros da dívida. E faltou dinheiro para saúde, educação, estradas e o fome zero.

Se a Constituição garante o direito de decisão via referendo, é hora de se tomar decisão mais séria e eficaz sobre a dívida externa, que, essa sim, mata mais do que as armas dos marginais de dentro do país. Mas isso, só se conseguirá com pressão popular sobre as instituições de força nacional.

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