Água, buracos e inadimplentes


Comentário/editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), hoje:

Há remendos que ficam bem piores do que o soneto, diria o poeta. E muito pior, quando o remendo é feito sem respeito ao bem comum.

Não dá para se entender o absurdo que a direção da Cosanpa está fazendo nas ruas da cidade, já maltradas de nascença. Está certo que não é justo um usuário de água bombeada pela Cosanpa usufruir e não pagar o serviço. Isso é oportunismo de parasita social, exceto, se comprovado que vive abaixo da linha de pobreza.

Mas não está certo que a direção da Cosanpa tome uma medida tão simplista, de ordenar o corte do serviço de água, mandando quebrar o asfalto da rua, para cortar a tubulação e depois, tapar o buraco mal tapado, aleijando mais ainda o já mal feito asfaltamento da rua. Isso, quando o faz!

Outra falta de raciocínio competente é a Seminf não reclamar da baboseira e não exigir mais respeito ao bem comum.

Que tipo de inteligência ou de compromisso têm esses órgãos públicos para com os que cumprem seu dever cidadão e ficam prejudicados? Pois, se o usuário oportunista usar a água e não pagar, está certo que seja punido, até com o corte da água. Mas, e se ele, depois de um mês, sentindo a falta, venha limpar sua dívida, pedir desculpa e solicitar religação, que fará a Cosanpa?

Negar o serviço, não pode. Irá a companhia quebrar novamente o asfalto da rua, já mal refeito uma vez, abrir o buraco e religar os canos do inquilino? E aí, tapa o buraco, passa outro asfalto? Certamente que o remendo ficará pior. Imagine isso, sendo feito em centenas de residências hoje inadimplentes!?

Será isso inteligência e respeito ao bem comum? Será que não há outro jeito de se punir os inadimplentes relaxados? E o mais grave, a prefeitura não reage a esse absurdo? E a população também não reage?

Pobre cidade, tão bela pela natureza e tão desrespeitada pelos seus dirigentes e pelos seus residentes. E ainda se sonha com Santarém, capital de um novo Estado da federação...

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