Anapu volta a viver pesadelo

No Diário do Pará, hoje:

Quase sete meses depois do assassinato da freira Dorothy Stang, o Ministério Público Federal no Pará continua acompanhando a situação dos trabalhadores rurais em Anapu, onde a missionária morava.

O procurador da República Felício Pontes Jr. esteve no município entre anteontem e ontem para uma série de reuniões com os colonos, que ainda aguardam pela ação do Governo Federal de demarcar os Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS’s), o sonho de Irmã Dorothy.

A situação está tensa no município e há temor de novos conflitos, porque as promessas feitas por ministros e políticos logo após a morte de Stang não foram cumpridas.

“A grilagem de terras em Anapu não está diferente, a extração de madeira não está diferente. As pessoas estão desesperadas nos assentamentos. E esse desespero pode acabar mal. Eu sou muito otimista, mas para essa situação tem que haver uma decisão imediata”, disse Gabriel Nascimento, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anapu ao procurador durante reunião com os moradores dos PDS’s Esperança e Virola-Jatobá.


Promessas

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais enviou uma carta ao ministro Miguel Rossetto relatando a situação e cobrando o cumprimento das promessas feitas no enterro de Dorothy Stang, em fevereiro. De acordo com a carta, madeireiros e grileiros continuam exercendo pressão sobre os lavradores.

“Enquanto o Governo Federal não age, o crime organizado continua agindo. O Governo não aparece, mas aparecem os madeireiros com dinheiro e máquinas. Somos obrigados a dar a madeira de nossas terras de graça, porque eles abrem as estradas que o Governo não abre”, denuncia o presidente do STR, Francisco dos Santos Gonzaga.

Além da falta de estradas e de créditos, vários trabalhadores, durante a reunião com o procurador da República, relataram a presença de pistoleiros nas áreas rurais do município, ameaçando-os de expulsão.

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