A necessidade da alfabetização ecológica
Benedicto Monteiro
O Presidente da República, os Senadores, os Deputados, os Ministros do Judiciário, os Ministros do Executivo e até os Governadores, estão dizendo a toda hora, que não podem fazer nada, sem a colaboração da sociedade. Precisam quanto mais, da colaboração voluntária do povo.
Aliás, já não precisavam mais, dizer esta verdade. Todos sabem. Porque a formação, colonial, massacrou e extinguiu, o nosso o povo nativo. Depois veio o Reinado de Portugal exercido do nosso território, o Império arranjado, para deixar o Brasil nas mãos dos Braganças portugueses. Tivemos nossa República Federativa que foi apenas um Golpe de Estado.
Essa República Velha, a Revolução de 30, reduziu ao Estado Novo. O Golpe de Estado de 1964 montou um sistema autoritário- militar, que queria fazer desse golpe, uma Contra Revolução contra a revolução pacífica do Governo de Jango. Mas a manifestação voluntária das diretas-já criou a possibilidade de nos dar um destino melhor, entre as nações do mundo. Os conchavos políticos, exercidos na Assembléia Nacional Constituinte, acabaram nos deixando nas mãos de uma Nova República, da qual se tem apenas a lembrança, de uma inflação galopante e a cassação de um único mandato de Presidente.
Agora estamos aqui diante desta realidade, conturbada por todos os esses acontecimentos. O nosso povo se formou dessa maneira. É dele que todos os governantes precisam de ajuda. E ele cresce milhões por ano, sem qualquer controle. Antes, podíamos classificar de analfabetos, apenas os que não sabiam ler nem escrever. Hoje, além dos milhões de analfabetos que temos, sem saber ler nem escrever, temos os analfabetos funcionais.
Quais são e quantos são os nossos analfabetos funcionais? É muito difícil de dizer. Os governos ainda não sabem quantos criminosos condenados, nós temos no país. Quantos milhões de pobres que passam fome, que temos, urgentemente,que atender. Quantos estudantes estão fora das aulas, porque não têm condições para estudar. Quantos desempregados existem por falta unicamente de habilitação profissional.
Não é por falta de ministérios, secretarias e departamentos. Órgãos e instrumentos, nós temos aqui no Brasil, por demais. Os países do G-8, que mandam no mundo, estão exercendo as suas atividades diplomáticas, econômicas, políticas e sociais, de acordo com seus interesses, provocando intervenções diplomáticas, econômicas e até militares.
Modificaram até a forma de imperialismo, sobre os países que sempre dominaram. Hoje, o seu imperialismo é a globalização do capital. Ninguém escapa dessa globalização, porque depois do fracasso do socialismo, na União Soviética, os povos mão têm alternativas para substituir o capitalismo, que está se exercendo livremente em todo o planeta. E, segundo Silke Pfeiffer, diretora das Américas da Transparência Internacional, a corrupção endêmica no sistema instalado no Brasil, já não dispõe mais de mecanismos para lidar com a corrupção.
Além da globalização, existem na terra, sérias modificações, que estão ocorrendo, na velocidade do tempo, nas manifestações climáticas, no governo do mundo, nas transformações das sociedades e aténos conceitos sociais, religiosos e políticos que dividem e desestruturam as famílias.
Quanto à Ciência, parece que o mundo todo, ainda raciocina com os princípios cartesianos e mecanicistas, que dominaram os séculos passados. A visão mecanicista, ainda predomina grandemente sobre a visão sistêmica, que transforma todos os nossos paradigmas.
A única forma que os países têm hoje é de se adaptar, à globalização. E nós aqui no Brasil, muito mais do que, qual quer outro país, do mundo, temos que, estudar e executar, a nossa forma de se adaptar. Isto, porque nós temos uma região como a Amazônia, que tem todas as condições para desenvolver todo o nosso país. Desde que ela, não fique como apenas depósito de matérias primas, biodiversidades, e mão-de-obra barata.
Aqui, na Amazônia sim, podemos fazer uma grande experiência e uma grande vivência, com o terceiro setor e o voluntariado. Sabemos que a região édesconhecida do Brasil de norte a sul. Os estudos que existem sobre ela, são conhecidos apenas pelas pessoas ligadas ao setor de pesquisa. Nosso povo, nossos representantes, e governantes, pouca coisa sabem das potencialidades da Amazônia e dos 20 milhões de seus habitantes.
Esta ignorância generalizada é o maior obstáculo, para mantermos a nossa soberania e alcançarmos o desenvolvimento do Brasil. Não a custa de empréstimos do FMI. Mas de um aproveitamento, ecológico da Amazônia, que não se fará nunca, sem a ecoalfabetização de seu povo e de seus dirigentes.
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