Discurso contra soja tem viés saudosista

Do leitor Carlos Trajano, sobre a cultura a soja na região:

Tem viés saudosista, bairrista e de gueto o discurso dos que se posicionaram até agora aqui contra a cultura da soja. Do Sr. Jubal Cabral ao do Sr. que assina Um santareno em Belém e ainda o Sr. Valdo Fernandes, todos falam como se o município ainda estivesse na década de 50, 60, 70.

Acordem, senhores, o mundo se globalizou! As fronteiras econômicas, sociais, políticas e físicas estão cada vez mais diluídas. Santarém está inserido neste contexto e é a partir dele que se deve pensar. O passado não voltará, a bucólica cidade sem violência, sem progresso, sem carros importados não ressuscitará.

A soja é uma realidade, uma alavanca de desenvolvimento indiscutível. Não é "A" responsável pelas mazelas sociais de Santarém. Isso é herança de governos e desgovernos que se sucederam e se sucedem até os dias atuais. Não há empregos? Já foi muito pior. Ou no ciclo do ouro isso não era realidade? A prostituição não vigorava? As mortes e assassinatos não eram rotineiras? Santarém não é gueto destinado de enriquecimento destinado apenas aos que aqui nasceram.

Existem sojeiros e sojeitos, assim como santarenos e santarenos. Aliás, há gente que aqui não nasceu que faz mais pela cidade do que quem é santareno. Exemplos? Há muitos e muitos, principalmente no campo da política. A soja pode até ter seus efeitos colateriais negativos, mas a cultura de todos os males é puro emocionalismo. Não encontra respaldo na realidade que nos circunda.

Um exemplo. Em breve, uma nova concessionária abriará suas portas na cidade. Os seus donos são paraenses, que vão gerar novos empregos e tributos para os santarenos. Investem aqui não tenham dúvida por causa da soja, da cultura de grãos na região se espalha.

Comentários

Fui ler o meu comentário sobre o ordoxismo ambiental e não consegui verificar nenhum saudosismo em minhas palavras. Sr. Carlos Trajano, não fiz parte dos que emitiram o Relatório do Clube de Roma sobre o meio ambiente. Não fiz nenhum comentário sobre a "ciencia do pessimismo" tão defendida pelos economistas Malthus e Ricardo. Não ofendi quem está chegando (minha familia e de milhares de outros santarenos vieram de fora). Portanto acredito que o senhor leu outro cometário e não o meu.
Mas, como o senhor demonstra ter uma cultura avançada proponho a leitura (de novo ser já tiver sido efetuada) das seguintes publicações:
1 - Nosso Futuro Comum - Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1988.
2 - Contra-Discurso do Desenvovlvimento Sustentável -organizado por Marcionila Fernandes e Lemuel Guerra.
O senhor verá que quando discutimos desenvolvimento sustentável, estamos discutindo crescimento economico com responsabilidade social e com distribuição de renda. Que não queremos que os municípios do oeste do Pará atingam o estágio de "Estado Estacionário" da economia, como querem alguns ecologistas alarmistas, mas um estágio de desenvolvimento com proteção ambiental, com a redução da pobreza e com políticas de investimentos sólidos voltados para educação, saúde, habitação e alimentação.
Não duvido que muitos outros investimentos virão na cola da soja, mas queira Deus que não se repita o "lock" que está ocorrendo em certas regiões onde os implementos agrícolas e outros bens duráveis estão "encalhados" por falta de compradores. Se não for feita uma distribuição de renda e o preço internacional da soja cair a níveis alarmantes, quem comprará os carros desta nova distribuidora?
Não existe uma dicotomia entre desenvolvimento e meio ambiente. Sem um, o outro não subsistirá, pode ter certeza!
Anônimo disse…
Ao Sr. Carlos Trajano: é interessante como o Sr. distorce o que os outros falam. O Sr. rebate os comentários feitos pelos outros usuários como se estes acreditassem que as mazelas sociais decorrem da soja. JÁ FOI DITO E AGORA REPETIDO que ninguém é ingênuo demais para acreditar nisto. Portanto, pare de deturpar o que o que os outros dizem e apenas defenda a sua tese.
Agora, ingenuidade é acreditar que "a soja é uma alavanca de desenvolvimento indiscutível". Só há desenvolvimento se houver distribuição de renda e equilíbrio no uso das matérias primas (controle do impacto sócio-ambiental). Ingenuidade é jogar para os governos - passados e atuais - a total responsabilidade pelas dificuldades que vivemos. Ora, isso sim é estar com o pensamento no passado. Se há erro do Poder Público, há também omissão dos demais segmentos da sociedade.
O Sr. deturpa a opinião alheia quando faz acreditar que não somos capazes de distinguir "santarenos" de "santarenos". Faça-me o favor.
O Sr. mesmo se encarrega de demonstrar a falta de conhecimento do assunto em tela ao dar um exemplo que ora transcrevo:
"Um exemplo. Em breve, uma nova concessionária abriará suas portas na cidade. Os seus donos são paraenses, que vão gerar novos empregos" PERGUNTO: O Sr. já sabe quantos empregos serão abertos para poder fazer uma afirmação desta? "e tributos para os santarenos." TRIBUTOS PARA OS SANTARENOS? Ora, os tributos não são gerados "para os santarenos". São devidos ao município e este, através de programa de governo e do orçamento é que PODE investir em favor da população. Pelas suas palavras parece que sai do bolso do sojeiro para o prato do aluno da escola pública ou para tapar o buraco da via pública.
Um santareno em Belém