Maria refém do PMDB?




Comentário/ editorial do padre Edilberto Sena no Jornal da Manhã (Rádio Rural AM), de hoje:

O presidente da República adiou por um mês a nomeação do novo ministério, seus auxiliares diretos na administração federal. A razão bem evidente desse adiamento é a eleição do próximo presidente da Câmara de Deputados, dia 1º de fevereiro.

Sabendo-se que o vice presidente, José Alencar, está bem doente de câncer, o presidente da Câmara é o seguinte automático vice-presidente da República. Lula quer ter certeza de quem serão de fato, seus aliados de fé.

Como quem avisa, "quem não votar no meu candidato preferido (no caso, Aldo Rebelo, embora hoje ele já fala de ter dois filhos...)", não ganhará um ministério no novo mandato. Isto, em bom português, se chama chantagem discreta, ou nem tanto.

Já aqui na paróquia de Santarém, a proposta, ou recado do presidente do PMDB à prefeita, sem rodeio, é direto e indiscreto. Disse ele, curto e grosso, caso não seja nomeado o secretário de Saúde apontado por seu partido, ele romperá a aliança com a prefeita.

Veja só! É uma ameaça explícita, que poderá se tornar uma guerra dentro da aliança mocoronga.
A que ponto chegou a degradação política no país e no município! Esta é a combalida democracia que funciona por aqui. Tal proposta indecente do partido aliado da prefeita de Santarém é um convite a uma reflexão séria: O PMDB já negociou com o governo do Estado a Sespa em Santarém, agora quer também a Semsa da prefeitura. Quer a cabeça, o tronco e os membros dos serviços de saúde pública. Por que será?

Um zelo por bem servir à população do Oeste do Pará e de Santarém? Se sim, o aliado não confia num outro secretário nomeado pela aliada prefeita. Afinal, quem deve escolher os auxiliares da prefeitura, é quem foi eleita para o cargo, ou seus aliados?

Na falta de repeito aos eleitores e à população, cresce o comércio de cargos, a chantagem política e semelhantes. A coisa está tão comum e despudorada que o presidente da República não mais esconde o motivo de adiar a nomeação de seus ministros. E aqui na região, o partido aliado fala para quem puder ouvir que a escolha será como o partido quer, ou chuta o pau da barraca.

E aí, há possibiliade de ser diferente? Só os e as eleitoras, com boa memória e sensibilidade crítica, poderão mudar esse estado de indecência no trato da coisa pública do município e do país. Nos próximos dias se saberá se a prefeita tem fibra suficiente para dizer que ela foi eleita e decide os nomes de seus secretários, ou se ela ficar refém das ameaças de seus aliados.

Comentários

Anônimo disse…
Que belo comentário padre Edilberto! Um bom questionamento a se fazer pra um governo perdido em alianças bizarras e completamente incoerentes com o que pregou históricamente. A tal ideologia de mudanças na forma de fazer política foi pras cucuias há tempos. O que importa mesmo é ter o poder nas mãos, o resto é bobagem!


Não vejo com surpresa a exigência de cargos, afinal de contas as alianças são para isso mesmo. Ou dá ou desce, farinha pouca meu pirão primeiro e outras frases que mostram a qualidade do planejamento político feito por essa atrapalhada gestão municipal.


Se o presidente da república o faz, porque os menores do estado e do município não podem faze-lo?


Lula está agindo, finalmente, como um estadista, planejando e movendo as peças como estrategista, aguardando o momento certo de agir e de falar, o que me da ainda mais otimismo em relação a esse novo mandato.


Garanto que não tardará o defensor virtual do PT aqui no blog vir dizer que isso é natural, que o jogo político é esse mesmo, que as coisas sempre foram assim e que a democracia é um jogo de concessões e trocas para interesse dos partidos políticos mesmo que seja por cooptação, ameaças, chantagem e dependência química desse tipo de gente... isso que dá não ter organização, nem metas e nem planejamento próprios. Sempre ficarão nas mãos dos muy amigos "aliados".

Resta saber de que tipo de gente é feito o governo da gente?