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Jeso Carneiro

Santarém (Tapajós, Amazônia) e cercanias - fatos, fotos e opiniões.



quarta-feira, setembro 27, 2006

Olhar do leitor

Foto: Manuel Dutra
Memorial Cabanagem (Belém - PA)

Professor-doutor e jornalista, Manuel Dutra responde à provocação do leitor Onizes Araújo com outra foto do Memorial da Cabanagem, em Belém, e o seguinte texto abaixo:

Caro Onizes, você sabe e todos sabemos que um monumento, especialmente o Memorial da Cabanagem, é um sinal, um símbolo de algo, de alguém ou de um grupo social cuja memória rejeita a idéia de morrer. Os cabanos foram exterminados brutalmente, mas a essência daquela luta permanece, pois as suas causas estão tão vivas quanto naqueles anos de 1835-1840, causas que já vinham de muito antes e que permanecem muito tempo depois.

Creio que foi isso que inspirou o maior dos nossos poetas-arquitetos Oscar Niemeyer (todo arquiteto deveria ser um poeta, isto é, alguém com a sensibilidade para perceber que o ambiente onde se constroem sejam monumentos, templos, avenidas, praças, prédios ou casas, são e devem ser essencialmente ambientes humanos, lugares de calor fraterno e cidadão; infelizmente, nossas escolas de arquitetura parecem ter retirado de seus currículos esse dado essencial da relação espaço construído/convivência humana). Imagino que aqueles lances do Memorial que se alçam ao infinito estão lá para nos recordar que os ideais essencialmente humanos são eternos.

O Memorial é um convite insistente para que cada um de seus apreciadores não desista: não importa o momento presente, nós e aqueles que nos sucederem, construiremos, sim, uma sociedade onde todos e cada um possamos encontrar oportunidade de apresentarmo-nos como humanos, decentes, felizes. O Memorial nos informa que isso não só é possível, como inadiável!

4 Comentarios:

Anonymous Anônimo Disse...

Podalyro Neto:

Caro Dutra:

Permita-me trata-lo assim. Gostaria de parabeniza-lo pela aula dada no texto. Concordo com o que escrevestes, onde atrevo-me a sugerir que precisamos também de poetas-jornalistas (como tu), poetas médicos, poetas-engenheiros, poetas prefeitos, poetas cidadãos e tantos outros poetas para melhorar este mundo e torna-lo mais humano. Que o ideal cabano possa pousar sobre nós.

Parabens professor

27 setembro, 2006 14:27  
Blogger João Cabano Disse...

Jeso,

Volto a postar um comentário em seu blog depois de algum tempo afastado por motivos de trabalho.
Como apaixonado pelo tema, ao ler o texto do jornalista Manuel Dutra sobre sua própria foto, lembrei que estive na inauguração do Memorial à Cabanagem há quase 22 anos (que serão completados em 07.01.2007) e havia guardado o recorte do jornal em que o artista-arquiteto Oscar Niemeyer explicava à imprensa, oito meses antes, qual era a sua idéia em relação ao monumento e que passo a transcrever: “será todo em concreto, com uma inclinação acentuada apontando para um ponto sem fim, representando a história. Terá, no meio, uma ‘fratura’. Um pedaço do monumento que jaz no chão, representando a ruptura do processo revolucionário da cabanagem, a sua derrocada. Mas como a cabanagem continua viva na memória do povo paraense, o bloco continuará subindo para o infinito. Terá 15 metros de altura e 20 de comprimento. O museu-cripta que abrigaria os restos mortais de Batista Campos, Eduardo Angelim, Francisco e Antônio Vinagre e de Clemente Malcher, conterá cinco criptas e um vitral da artista plástica italiana Marianne Perretti, a mesma autora dos vitrais do Memorial a JK, em Brasília”.
Eis “os ideais essencialmente humanos”, a que se refere Manuel Dutra, com toda a propriedade.

27 setembro, 2006 14:29  
Anonymous Onizes Araujo Disse...

Caríssimo Dutra,
Embora eu não entenda o que escrevi como provocação, fico feliz pelas abordagens sobre o tema e pela rica explanação que você fez a seguir.
O que eu sabia de antemão era que a foto trazia uma mensagem e, agora, sei que atingiu seus objetivos.
Saudações ximangas !

27 setembro, 2006 17:12  
Anonymous Anônimo Disse...

A Cabanagem não deveria ser esquecida jamais. Apenas para ilustrar os fatos ocorridos entre 1830 e 1839, os combatentes eram liderados por um padre que ocupava o vazio deixado pelos jesuitas expulsos pelo irmão de Mendonça Furtado: o marques de Pombal. Na primeira manhã de ataques em Santarém os cabanos mataram mais de 10 por cento da população, quase todos os ricos comerciantes e fazendeiros da cidade. Na época a cidade tinha em torno de um mil habitantes. A cabanagem trouxe quase 100 anos de decadência para a nossa região.

27 setembro, 2006 18:08  

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